O Odsal Ling, de Longe , por Becky Bates

No início desta semana, Lama Tsering visitou Minnesota.

 

Great Lake Minnesota

Grande Lago, Minnesota, USA

 

Ela esteve aqui há dois anos e seus alunos sentiram muita falta dela e de seus ensinamentos do Dharma. Devido às restrições de viagem, Lama Tsering tinha apenas um dia para ensinar, com uma noite e uma manhã disponíveis para entrevistas.

Muito embora fosse uma terça-feira, um dia de trabalho bem no meio da semana, o local escolhido pela a Sangha para os ensinamentos estava cheio, tanto para os ensinamentos da manhã, quanto para os da tarde.

O Grupo Nyingma de Minneapolis faz a prática de Tara semanalmente em um estúdio de artes improvisado, com grandes janelas e um vasto pé direito. Uma das paredes foi pintada em azul cor de céu que lembra a conhecida metáfora da verdade do céu por detrás das nuvens em constante mudança. Os membros da Sangha construíram um lindo trono para  Lama Tsering e, ao fundo, penduraram cortinas brancas translúcidas como pano de fundo, escondendo o fato de que parte daquele espaço ainda é um estúdio de trabalho. O chão estava coberto com muitos tapetes e almofadas, o que deixou os alunos ansiosos para ouvir o que Lama Tsering tinha a dizer.

Os ensinamentos foram de natureza introdutória, visto que como muitos alunos ainda não haviam recebido a iniciação, mas, como na maioria dos ensinamentos que já ouvi, o ponto central daquele, enquanto familiar para mim, sempre se apresentava como novos ensinamentos, com um certo sentido de urgência em apoio a minha própria prática, afetando, diretamente, as áreas que necessitam de um fundamento mais sólido, enquanto, por outro lado, incentivavam ainda mais as partes da prática que estão indo bem para mim.

No Brasil os ensinamentos são seguidos de um tempo de tradução, pois Lama Tsering dá seus ensinamentos sempre em inglês. Já nos Estados Unidos, os ensinamentos vêm a nós de uma só vez, talvez como um extintor de incêndio, deixando-nos pouco ou nenhum tempo para refletir imediatamente, mas somente no final do ensinamento. Eu não acho que Americanos absorvem mais rápido do que os brasileiros os ensinamentos, mas talvez nós fiquemos mais lentos ao final de um ensinamento justamente em razão da inexistência do tempo de tradução.

Passei um ano no Brasil, ouvindo regularmente os ensinamentos no Templo. Voltei para os Estados Unidos em junho deste ano. Assistir a um dia sequer de ensinamentos nos Estados Unidos fez-me sentir como que recebendo um jato suave de água fria sobre seca de um chão árido. Eu sei que o Dharma está sempre presente e que eu possa encontrá-lo na Internet, nas gravações, em livros e na minha própria prática. Mas é diferente quando o seu professor está com você, na sala de meditação. Eu posso imaginar que um dia eu terei a minha prática forte e consolidada e que, para mim, será como se o meu professor estivesse ali na sala comigo enquanto pratico. Mas por hora, eu sou tão grata aos Lamas que viajam, conectando-se com seus alunos, onde quer que estejamos. Grata aos Lamas que aparecem de manhã cedo ao puja, praticando conosco quando podem. E grata também aos Lamas por seus ensinamentos, pessoalmente, ou  em livros ou, ainda, em arquivos de áudio, para que possamos revisitar o Dharma. Sim, isto sempre nos ajuda.

Por apenas um dia, o Templo veio até mim. Senti-me mais uma vez em meio a Sangha com a minha Lama, e permeada pelo Dharma. Imaginei-me sentada lá no meu espaço para o puja com com as almofadas vermelhas e o pequeno espaço para as minhas coisas, meu sino, meu dorje juntamente com meus textos sobre a banqueta vermelha. Eu imaginei a minha Sangha brasileira sentada a minha volta, meditando perto de mim e juntos fazendo os mantras.

Estou tentando manter essa visualização de Sangha, a lembrança do Templo comigo, agora que estou mais uma vez longe de minha Lama.

Eu estou contente que o Odsal Ling está neste mundo, uma jóia que realiza desejos para o Brasil, sim, mas radiando bençãos para todas as direções onde hajam conexões para com ele.


Anúncios

Uma resposta para

  1. Pingback: Odsal Ling from Afar: by Becky Bates | blogsattva

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s