Dia de Guru Rinpoche

O texto abaixo veio no mês passado via mailling list de Phakchok Rinpoche. Hoje chegou outra mensagem, que vou traduzir e postar assim que possível.

Quaisquer erros dessa tradução são meus e todo o mérito dessas palavras são do Guru.

Queridos amigos no Dharma,

Espero que todos vocês estejam felizes e com saúde. A mensagem abaixo foi enviada no dia de Guru Rinpoche, mas devido a erros técnicos, muitos de vocês não a receberam. Espero que vocês a recebam agora sem obstáculos e, se você receber duplicado, por favor nos desculpe.
Gostaria de dividir com vocês um ensinamento que me é muito querido e de coração. Um ensinamento dado por meu avô há muitos anos. Espero que esse ensinamento tenha algum impacto positivo em vocês.

Kyabje Tulku Urgyen RinpocheConselho de coração de meu avô, Kyabje Tulku Urgyen Rinpoche:

Este corpo humano precioso:

O corpo que nós temos agora é chamado de corpo humano precioso. Nesse mundo há incontáveis seres sencientes e entre todos eles o melhor é esse corpo humano precioso, que é muito difícil de se obter, de novo e de novo. É impossível obter um corpo humano precioso através do demérito. É apenas através da acumulação de méritos em suas vidas passadas e do resíduo de enorme e inacreditável karma positivo que se pode chegar a um corpo como esse.
Tendo nascido como humano é como chegar numa ilha de jóias. Mas se não pegamos nenhuma delas e apenas ficamos de braços cruzados e voltamos para casa de mãos vazias, então qual é o propósito? Como tornar esse nascimento humano precioso significativo? É apenas através da prática do caminho espiritual que podemos tornar esse corpo humano precioso algo de valor. Sem isso, você é apenas um humano comum, preso em um corpo humano comum.
E por que esse corpo humano é chamado de precioso? Porque com esse corpo é que nós podemos ouvir os preciosos ensinamentos quando eles são explicados e então colocá-los em prática. Mas se nós desperdiçamos algo precioso como isso, não há perda maior do que esta. Se nós não praticamos o Dharma, não somos diferentes de um animal. Então verdadeira e honestamente nós deveríamos perseverar na prática do Dharma.

Praticando o Dharma:

Praticar o Dharma significa ter confiança, diligência e sermos sábios/inteligentes. Confiança significa termos completa confiança e segurança no Dharma, os ensinamentos e naquele que deu os ensinamentos, o Buddha. Assim, temos completa confiança no Buddha e no Dharma. Completa confiança na Sangha, aqueles que sustentam os ensinamentos, dessa maneira, temos um sentimento de agradecimento pela Sangha. Nós precisamos confiar nesses três (Buddha/Dharma/Sangha).
Diligência significa, em qualquer trabalho que você faça, que se você o iniciar e não terminar, ele nunca estará completo. Então o que nos leva a completar aquela tarefa é chamado de diligência. E sermos sábios/inteligente é, antes de mais nada, o que nós ganhamos ao ouvirmos os ensinamentos, ao pensarmos à seu respeito e depois ao aplicarmos. Então quando você ouve algo e ganha alguma confiança e segurança, então você tem um insight, que é chamado de conhecimento através do aprendizado. Quando você pensa à respeito novamente, é o conhecimento através da reflexão e, finalmente, vem o conhecimento através da prática da meditação. Assim temos completa confiança e segurança neles. É por essa razão invencível que temos confiança. Não ter essa confiança é um grande defeito.
Se alguém não  tem compaixão e confiança é muito difícil de se penetrar no coração do Dharma. É como se alguém que, quando vê Buddhas e Bodhisattvas voando pelo céu, acredita que eles estão apenas se mostrando e quando vê uma criatura ao chão, com os intestinos à mostra, diz: “oh, é o karma dela, todo mundo morre”.

Devoção e Compaixão:

Compaixão e devoção não deve se tratar de exibição. E nem algo para se dizer da boca pra fora. Deve ser vir do fundo de nossos corações. Confiança nos ensinamentos do Buddha deve ser com apreço puro. Precisamos ter o tipo de confiança tão penetrante que lágrimas vêm aos nossos olhos e nossos pêlos naturalmente se arrepiam, o tipo de sentimento difícil de se permanecer. Simplesmente dizer algumas palavras vazias não é suficiente. Quando pensamos nos outros seres, devemos ter o tipo de compaixão em que imaginamos que todos eles foram nossos pais e mães e que eles, não sabendo o que fazer, criam imensa dor e sofrimento para eles mesmos e não sabem disso. Eles não tem a menor idéia à respeito da verdade suprema, o verdadeiro estado de Samadhi. Então eles vão de uma vida à próxima, na infinita corrente do Samsara. Portanto, aqueles que estão tomados de compaixão avassaladora pelos seres sencientes e por devoção unidirecional pelos seres iluminados, receberão, sem a menor dúvida, as bênçãos de todos os Buddhas e Bodhisattvas.
Falar da boca para fora e agir de maneira superficial como se tivéssemos pena dos seres sencientes e respeito pelos seres iluminados não é o suficiente para recebermos bênçãos. É algo que deve ser feito com 100% de sinceridade. Então aqui temos alguns sinais ao recebermos bênçãos: que são quando você não tem mais que tentar sentir bondade e compaixão, mas isso é algo que vem espontaneamente e você não tem mais que deliberadamente tentar ser respeitoso, mas é espontâneo também. Esses são os sinais. Com uma confiança natural nos ensinamentos e as consequências do karma, esse é o real resultado da prática do Dharma. Esse é o siddhi real.

Recebendo as Bênçãos:

Você pode não ter muito conhecimento e informação do Dharma, mas se você tem uma real confiança nas Três Jóias, bondade pelos outros seres e entende verdadeiramente que nessa vida nada dura para sempre, então você já recebeu as bênçãos das Três Jóias. De outro modo, apenas saber muitos ensinamentos, às vezes, pode levar a nada mais do que à auto-importância. Ou pensar: “eu tenho praticado tanto e por tantos anos Shamatha e Samadhi”. Pessoas que tem muita prática por trás delas geralmente se tornam mais mesquinhas e avarentas. Isso prova que os ensinamentos não fizeram efeito. Então qual é a missão principal em jogo? Tudo se trata da natureza búdica, que é a verdadeira identidade na qual o corpo, fala, mente, qualidades e atividades iluminadas de todos os Buddhas estão completas. Na verdade, o corpo, fala e mente de qualquer ser senciente tem a sua fonte ou origem apenas no corpo, fala e mente de todos os despertos. Essa qualidade imutável é chamada de corpo Vajra; a qualidade que não cessa, é a fala Vajra e a qualidade sem erros, a mente Vajra. A união indivisível dessas três é exatamente o que natureza búdica significa.

Natureza búdica:

Se nós não reconhecemos ou damos crédito em nossa própria experiência ao que é a qualidade imutável dessa natureza búdica, é como nós entrarmos no aprisionamento de nosso corpo físico de carne e sangue e na nossa fala, aprisionada dentro do movimento da nossa respiração, que se torna voz e essa voz que aparece e desaparece. Nossa consciência se torna fixada em um que percebe ou no que se percebe. Em outras palavras, fixação na dualidade que surge e cessa a cada momento, em outras palavras, pensamentos que vêm e vão, um após o outro em uma infinita corrente de pensamentos que continuam desde um tempo sem princípio e que se estende sem fim. É assim que nosso estado normal da mente é. Se não reconhecermos nossa própria natureza nessa mesma vida, então seremos incapazes de capturar nossa posição natural de imutável estado-desperto auto-existente. Ao invés, nós corremos atrás de um pensamento perecível atrás de outro, para então o Samsara se tornar infindável. Estamos sobrepujados por esse envolvimento em nossos pensamentos dia e noite, vida após vida. A não ser que você se torne livre do pensamento conceitual, de nenhuma maneira há alguma chance de verdadeiramente despertarmos para a iluminação.

O Método Supremo:

A grande paz se dá quando o pensamento conceitual se assenta ou se acalma. E há uma maneira disso acontecer. Pensamentos são uma expressão, enquanto pensamos se você verdadeiramente reconhece que está em um estado natural, que é a natureza búdica, nesse exato momento, qualquer pensamento se dissolverá por si mesmo deixando nenhum traço. Isso dá um fim ao Samsara. A maneira básica para isso é o método supremo e, uma vez que você conheça esse método, haverá algo superior a ele que você precise saber? E isso é algo que já é alcançado em você mesmo, não algo que nós precisamos conseguir de alguém, que temos que subornar, buscar e finalmente encontrar. Não é necessário de modo algum. Apenas reconheça seu próprio estado natural e você já transcendeu os seis reinos do Samsara. Esse é o método que se recebe quando alguém pede a um mestre: “por favor, dê instruções sobre a essência da mente”. É o mais precioso, o qual não precisa ser buscado externamente- está dentro de nós mesmos. Isso é chamado  de “o Buddha ser colocado na palma da nossa própria mão”. Essa analogia significa que, nesse momento, você não precisa buscar o estado desperto em algum outro lugar. Se você juntar todo o dinheiro e riqueza de todo o mundo em uma grande pilha de um lado e do outro lado, o reconhecimento da natureza búdica, a natureza da sua prórpria mente, então o que é mais valioso se você tivesse que escolher entre as duas pilhas? Obviamente você deveria, sem dúvida, escolher reconhecer a essência da mente sendo muito mais valioso. Isso é chamado de “o maravilhoso Buddha em si mesmo”.

Se você tem uma jóia que realiza desejos e ainda assim não a usa, então o Samsara sem fim se posta à sua frente. Não há então mais problemas? Isso é algo que realmente precisamos pensar à respeito. Esse é o real ponto crucial. Se não tivéssemos essa natureza búdica inata, quem poderia culpá-lo? Essa natureza-búdica é a identidade dos Três Kayas de todos os Buddhas.

E para terminar:

Apesar da minha mente ser o Buddha, eu falho em reconhecê-la
Apesar da essência dos pensamentos ser Dharmakaya, eu falho em reconhecê-la
Apesar do estado natural inato ser livre de elaboração, eu falho em sustentá-lo
Apesar dessa naturalidade ser o verdadeiro estado, eu falho em confiá-la
Então Guru, por favor, olhe por mim com compaixão e garanta suas bênçãos
Que eu possa rapidamente voltar minha mente para o Dharma
Não ter obstáculos no caminho e rapidamente ter diligência para praticar

Sarva Mangalam
Phakchok Rinpoche

Para sua informação:
Peregrinação no Ano do Tigre de Ferro: Seguindo os passos do Buddha, o Desperto.
Data provisória: 15-25 de Dezembro de 2010
Visite: http://www.cglf.org para mais informações.

* O ensinamento acima foi dado no Nagi Gonpa por Kyabje Tulku Urgyen Rinpoche com Erik Pema Kunsang como seu tradutor.

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2 respostas para Dia de Guru Rinpoche

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