Uma carta de Phakchok Rinpoche- 21 de Junho de 2010

Queridos,

É noite aqui em Boudhanath, Kathmandu e eu estou sentado em minha cama, bebendo chá e assistindo à Copa do Mundo, o primeiro tempo de Chile x Suíça. Deliciosamente perdido no tempo e profundamente imerso no modo de vida do Samsara! Em momentos como esse, se eu tento me lembrar de um ensinamento do Buddha em como devemos aplicar o nosso tempo, eu me lembro de “os três chakras diferentes”:

1. Alocando tempo para meditação.

2. Escutando, lendo e refletindo sobre os ensinamentos.

3. Engajando em ações baseadas em boa motivação.

Se possível, sua meditação deveria ser contínua e diária. A duração não importa; pode ser por alguns segundos, minutos e depois horas. Quando meditar continuamente se torna isso um hábito, você terá menos problemas com a sua mente e com as emoções que se seguem. Por exemplo, enquanto você assiste à Copa do Mundo e em um momento de júbilo/perda pelo seu time, você pode meditar por alguns segundos e tentar ter atenção plena desses mesmos sentimentos, naquele exato momento. Não é bem simples? Meditação, um termo com nove palavras, pode às vezes carregar um peso por conta da sua extensão e significado e então as pessoas tendem a ser cuidadosas com isso. Ao ponto de se construir um ambiente completamente novo para isso: o lugar certo para meditar, a hora certa para meditar e a circunstância certa para meditar. E no processo de planejamento, nos perdemos no tempo e daí um dia passa, seguido de uma semana e então perdemos todo o ‘momentum’ de querermos meditar. Portanto, antes de cair aprisionado neste ciclo repetitivo, tente não planejar muito e apenas medite.

Mas antes de se engajar na sua meditação, você deve ter um bom entendimento do significado de “visão correta”. A visão da vacuidade, a natureza vazia de todo o fenômeno. Muitos de nós, engajados em nossos diferentes estágios e tipos de meditação, às vezes ficamos completamente perdidos no método e nesse processo esquecemos a base/o solo. Portanto, devemos constantemente refletir na visão correta, vacuidade. O grande mestre Tilopa, dando instruções a seu aluno do coração Naropa, afirmou: “Se você não entende a visão correta, então sua meditação e conduta não serão corretas”. É como se, por exemplo, quando alguém está meditando, ele/ela afirma: “Eu estou meditando”. O simples fato da palavra “eu” ser mencionada, e o apego à palavra “eu”, torna a meditação incorreta.

Com o propósito de entender e treinar na visão correta e entender a vacuidade, é útil usar a técnica Burjom de Atisha- se livrar dos pensamentos assim que eles surgem. E enquanto investiga seus pensamentos, é mencionado que se deve ser como um leão e não como um cachorro. Não importa quais tipos de sentimentos, pensamentos e emoções surjam, não os persiga como um cachorro. Ao invés disso, pense de onde esses sentimentos, pensamentos e emoções estão surgindo e como um leão pula sobre a pessoa que está arremessando um graveto, ao invés de correr atrás da graveto.

Em qualquer tipo de atividade samsárica que você estiver fazendo, tente fazê-lo com uma boa motivação e constantemente cheque suas emoções. Meus mestres raízes constantemente afirmam que se a pessoa não possui atenção plena, então essa pessoa é como um homem morto. Então, enquanto estiver ouvindo, lendo e refletindo sobre os ensinamentos, constantemente cheque que tipo de emoção está presente e esteja alerta.

Finalmente, nesse precioso dia de Guru Rinpoche, eu quero aconselhá-los a permanecerem calmos enquanto praticam e tentem refletir nas instruções essenciais de Atisha e sempre olhem para sua mente.

Tendo todos vocês em minha mente e nas minhas preces.

Sarva Mangalam,

Phakchok Rinpoche

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7 respostas para Uma carta de Phakchok Rinpoche- 21 de Junho de 2010

  1. Pingback: Fonte | blogsattva

  2. maria cristina moralles espinosa disse:

    Muito obrigado! Possam todos os seres se beneficiar.

  3. Marcelo Thiollier disse:

    Puxa que ensinamento maravilhoso. Para mim, é bem o caso, procurando o lugar certo, a hora certa, o momento certo para meditar e a toda hora perguntando a Lama Tsering, minha Lama querida, sobre meditação. Quem nos acompanha no “shrine” do Odsal Ling, em Cotia, ou durante os ensinamentos no Centro urbano, de São Paulo, deve se lembrar das minhas constantes indagações sobre meditação. Lembro de quando Phakchok Rinpoche esteve no Odsal Ling e no Centro urbano quando de sua última passagem pelo Brasil. Lá fui eu fazer minhas perguntas sobre meditação. E o vi no Centro urbano tão relaxadamente meditando sobre vacuidade a nos ensinar sobre o tema. Que bom ouvi-lo novamente. Ah, lembrem-se todos: ele estará conosco em breve!

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  5. gisela aragoni schiavo disse:

    Infelismente não pude participar das atividades do útimo domingo nos passeios e ensinamentos tão marivilhosos com Lama Tsering – acho que não era o meu carma – mas fiquei feliz de ler sobre os ensinamentos e ver as fotos sei que foi muito rico para todos. O importante é que despertou o olhar para as coisas que estão tão perto de nós para que a nossa prática se fortaleça. Que benção termos os nossos queridos Lamas para nos guiarmos.
    Que todos os seres sejam beneficiados!!!

  6. Pingback: Como andam as coisas | blogsattva

  7. osvanil luiz de oliveira disse:

    é realmente, é de rei…,habil escritor, profundo pensador,polifacetado cosmopolita…
    está no samsara, mas é do nirvana(liberado vivo), digno de nota, gratidão e reverencia…
    a boa sorte sopra em nossas terras, o vento solar,a luz do Dharma,fora de nos… paz eus.

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