budê…

Algumas vezes, quando conto o que decidi fazer, morar num templo budista e viver de trabalho voluntário, parece que até vejo alguns amigos pensando que isso é loucura, que largar um bom trabalho e morar num templo seja um exagero ou um fanatismo religioso… mas como bons amigos que são, me apoiam no que decido.

Mas antes de começar essa estória, quero contar o apelido que ganhei quando entrei na faculdade, muitos anos antes de me tornar budista… foi o de buda… é isso mesmo, meus amigos da época e muitos outros, me conhecem como buda. Outros, pelo fato do tempo da facul ter participado de um intercâmbio na França, me chamam de budê… de “le budê”, que foi o que eles criaram para se referirem a buda francês… rs

A sala repleta de calouros de uma faculdade pública esperando o trote, com os homens carecas e as mulheres devidamente pintadas. Neste cenário foram nomeados eu, o buda, e outro calouro, o Gandhi, na frente de todos para abençoar o “dia do trote”.

Mas hoje, o que me alivia nesse apelido é que sempre que escrevia ou assinava algum e-mail, sempre escrevi assim, com letras minúsculas… mas mesmo assim, contei a poucas pessoas da sangha sobre isso.

Aqui sinto a vontade de contar, talvez pois escrevo muito pouco e os outros colaboradores deste blog têm muito mais conhecimentos e talentos poéticos para compartilhar ensinamentos, que imagino que poucos lêem o que escrevo.

Mas voltemos a pergunta, o que me fez largar um trabalho e vir morar num templo?

Parafraseando um irmão do dharma e do templo, Mr. tchöpön Dani, vim morar no templo pela Lama Tsering. E se procuro por um outro motivo, no final sempre retorno nesse mesmo. Quem a conhece sabe do que estou falando, quem não, deveriam conhecê-la.

E isso não é nenhum fanatismo religioso, nem hipnotismo ou abdução extraterrestre. Não, o que me move a fazer isso é ver o quão sem sentido é essa vida de trabalho-casa-trabalho-casa… e que depois de um ano disso, férias para curtir um mísero mês… 30 dias em 365 em um ano,  que significa menos de 10%.

Mas se pode pensar que com isso consigo um carro novo ou, se o salário não permitir, umas rodas novas e um banco de couro pro carro, certo? Mas essa pergunta sempre permaneceu… vale a pena?

Afinal, qual o sentido disso?

Por isso vim aqui, para descobrir a verdade. Pois afinal, isso não pode ser tudo. E os meus lamas, mestres do dharma, sabem de algo que não sabemos… sinto que eles conhecem e já viram essa verdade e estão dispostos a ensinar. Poderiam estar em qualquer outra parte, mas estão aqui, assim decidi agarrar essa oportunidade.

Bom, qualquer que seja o seu caminho, o que escolhi foi esse. E seja qual for o seu, desejo de coração, boa sorte e boa viagem na sua própria jornada, afinal, cada um tem seus próprios demônios para enfrentar.

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21 respostas para budê…

  1. Marcus disse:

    éééé Fabio … realmente essa é uma pergunta dificil, vale a pena ? Acho que a grande maioria cresceu rodeado pelo consumismo, hoje acho difícil esta troca ( falando por mim) … mas sempre tentando não se apegar tanto aos bens materiais. É dificil, tenho que confessar, apesar da conciência de que isto não é o melhor.

    Até logo !

  2. Edimar Ferla disse:

    Parabéns Budê… rsrs…
    Me orgulho de ter conhecido você.

    Abraços.
    Ferlinha

  3. Tides disse:

    Xampuuu!! Belo texto budê! A verdade é que poucos tem a coragem que você teve de largar a rotina casa-trabalho-cara. Muitos realmente acham loucura, outros (eu inclusive) são admiridadores da sua decisão, buscar o que é melhor para você, sem se importar com o que os outros pensam ou não. Você sempre foi assim, continue sendo! Abração!!!

  4. Elizabeth Santos disse:

    Querido amigo Budê! Nada acontece por acaso. Regozijo-me por sua escolha em trilhar o Dharma de tão perto. Afinal, fruto de coragem, desapego, fé e méritos. Curta por todos nós esses momentos preciosos.
    Sempre que possível leio o blogsattva. Maravilhoso em tudo! Parabéns a sangha pela iniciativa e 0 compartilhar de experiências.
    bjs a todos.

  5. Andréa disse:

    Budê, que sua estadia no Gonpa possa trazer muitos e muitos méritos! Adorei seu texto, você escreve com o coração! beijão, Andréa

  6. Renato Furtado disse:

    Oi Buda!

    Se fosse outra pessoa, poderia achar estranho o acontecimento, mas sendo você, que nunca teve medo do desconhecido, entendo que é possível. Admiro sua coragem.
    Grande abraço e boa sorte para você!

    Renato

  7. Marcelo disse:

    Fabio –Budê — creio que nós, do Blogsattva, não sabíamos termos em nosso time um editor budê. Olha só que fôrça para o time!

    E posso garantir não ter visto até agora nada de mais poético do que a sua história porque a poesia vem do coração e tudo em seu POST “explode corações”…

    Valeu, Budê!!!

  8. Cíntia Kawashita disse:

    Fábio querido!!! Estamos aqui nos regozijando por você, eu e o Renato. Segue firme teu caminho, que muitos benefícios sejam gerados por tua decisão!

  9. Emersom disse:

    que legal esse post! abs!

  10. Marisa Kimie disse:

    Esse blog está show de bola, muito bom!!!!!! Parabéns a todos que o escrevem.
    Fábio, legal sua história, é uma decisão dificil, mas acho que quando chega o momento não há escapatória…

  11. Bia Galafassi disse:

    Nossa, quantos comentários! (Isso porque você imagina que “poucos leem” o que você escreve…)
    Tenho acompanhado o blog e sou muito grata por compartilharem as experiências de vocês. São pots muito inspiradores, com certeza!
    Por enquanto, tenho acompanhado os ensinamentos da querida Lama Tsering apenas pela internet. Tomara que eu tenha a oportunidade de conhecê-la e, igualmente, de conhecer todos vocês, que tão generosamente escrevem neste blog.

    Obrigada por existirem.

  12. zezão disse:

    Budê!!! Algumas vezes na minha vida já questionei-me o porque de estar aqui? o que é mais importante: familha, trabalho, surf, sexo, dinheiro, amigos e etc? E não consigo chegar a uma resposta.
    Mas a uma conclusão eu cheguei ! Que “Sua decisão é o seu destino” ou seja não adianta questionar se um dia saberemos o porque ou o que é mais importante, mas sim que cada decisão é a decisão mais importante, a mais sabia, a que responde o porque de estar aqui e…. ,
    Acredito que pessoas como você e outros amigos que criamos na vida são como ar! o item mais importante para estar vivo e manter-se vivo!
    Continue assim…!
    ZEZÃO

  13. Rigpa disse:

    Vc já teve a impressão de que a qualquer momento pode virar a esquina e reconhecer a verdade sobre esta realidade? Às vezes as coisas parecem insólitas para vc? Eu acredito que algumas vezes temos um tipo de intuição – uma fala do guru- indicando o caminho que precisamos tomar, vc foi corajoso em seguir esta voz e com certeza é uma pessoa de muitos méritos ! Escreva Mais!

  14. Vanessa disse:

    Ufaaaaa, agora vou poder chamar vc de buda sem correr o risco de alguém da sangha ouvir e olhar com aquela cara de ” – Do que ela chamou ele?!?!” hehehe
    Gostei muito do seu texto, a gente percebe que veio do coração.
    Parabéns pela sua decisão e boa sorte na sua nova vida…
    Como já escreveram, curta esses momentos preciosos por nós tb.
    Beijos

  15. Thiago Oliveira disse:

    Fala ae Buda…

    É como tu realmente diz, parece loucura para muitos, mas si para ti é o que vale a pena… a decisão que tu tomou é a melhor.
    De verdade te dejeso tudo bom e espero que encontre o que tu busca e sempre quis nesse teu novo caminho.

    Abração…
    Thiago

  16. Mari disse:

    Muito este blog e este texto é bem especial. Eu admiro o seu “desapego” das coisas e desta vida comum e por você não ter ficado nada arrependido desta troca.
    Chega até dar uma inspiração um texto deste e amanhã irei visitar o templo e acredito que irei gostar.

    Abraço e tudo de bom,
    Mari

  17. Ana Paula Vieira disse:

    corajoso e inspirador!

    agradeço!!!

    um abraço

  18. Pingback: joão-bobo… | blogsattva

  19. Marlon disse:

    Buda, desejo todo sucesso do mundo para você, não só nessa decisão mas em também todas as outras que viram pela frente, afinal o nosso destino é construído em nossas decisões, e como já disse NÓS tomamos as nossas decisões e ninguém mais tem nada a ver com isso!!!! Um grande abraço….

  20. sonia viana disse:

    Fabio,
    Foi com alegria que recebi noticias suas. É incrivel sempre que começo a pensar em vc. , vc. aparece. Vinha exatamente pensando: “como estará o Fábio?”
    Li seu texto e todos que seus amigos escreveram. Concordo com eles vc. escreveu a partir do coração e isso toca as pessoas. Também acho que se era isso que vc. estava sentindo que devia fazer fez muito bem de fazê-lo. Também gostei de ver como tem gente que gosta de vc. Isso é muito bom.
    Novidades: eu também estou me aproximando do budismo só que é do Nitirem Daishonin. Tenho ido a encontor mensais e sp. me sinto carregada de energia quando termina. Desde que comecei a frequentar as reuniões senti uma certa mudança em meu estado d’alma, para melhor é claro.
    Continue escrevendo, pois isso expande nossa consciência e nossa alma.
    Tudo de bom nessa nova vida
    Namastê
    Sonia

  21. Ana Paula disse:

    Fábio, vc descreveu tão bem a necessidade que sinto de me afastar dessa rotina “casa-trabalho-casa” para a qual somos conduzidos ao longo da vida, como se esse modo de viver e os valores agregados a ele fossem os únicos existentes. Parabéns pela coragem de viver sua vida da forma que mais lhe agrada!
    Sempre achei que meu lugar não era em meio a esse círculo vicioso de ter um bom emprego, ser bem sucedido, consumir… Espero que, assim como vc, também descubra o meu caminho, e que ao acontecer tenha coragem de percorrê-lo, não importa o quão a margem ele possa parecer aos demais.
    Seu texto é uma linda inspiração!

    Ana Paula

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