Novo “alô” do Zé

O Zé já foi apresentado aqui, e nesta semana ele mandou mais um depoimento das suas experiências no Dharma. Tendo em vista que hoje a Lama Tsering encorajou seus alunos na recitação do Djetsun, que sirva como mais um convite a se entregar à prática.

Lama Tsering e Zé

“A Mãe Tara

A prece Djetsun é pré-requisito para a prática do Ngöndro no Chagdud Gonpa e por isso nos parece como algo para iniciantes. A gente faz 100.000 recitações e logo quer algo novo, mantendo nossos padrões ocidentais de educação.

Várias vezes ouvi que quando alguém pedia ao Rinpoche para rezar por alguém doente ou numa situação difícil, era a prece Djetsun que ele fazia (100.000 num único dia). O mesmo ouvi da Khadro, mas eu sentia que pra mim ainda havia aquele obstáculo.

Até que comecei a perceber que em situações muito difíceis em que precisei rapidamente me concentrar e pedir socorro antes de ser tomado pela raiva e, por impulso, fazer algo destrutivo, foi a prece Djetsun que me veio à cabeça.

Há algum tempo venho ruminando sobre uma fase bem difícil que passei nos últimos anos, tentando achar algum significado para justificar tantos erros e passos na direção contrária do Dharma mesmo depois de tanto tempo praticando e ouvindo os ensinamentos.

A “sombra”, “o lado negro da força”, “the dark side of the moon” (cheguei a lembrar do Lou Reed – she said hey honey, take a walk on the wild side) e várias denominações da psicologia, do Pink Floyd ou do “Guerra nas estrelas” me pareceram ainda mais confusas como se carregassem um certo orgulho avesso de se ser “errado”. E por mais que a Lama Tsering me dissesse: “Zé, não ande na beira do precipício”, eu não conseguia me conter.
Diante de meus hábitos incontroláveis um dia comecei a chorar: “Eu não consigo!”.

Aí, voltei à prece Djetsun e várias saídas foram surgindo na minha mente, mas eu ainda queria dar um ar triunfante a todo aquele lamaçal. Rezei de novo à Tara e num ensinamento da Lama Tsering recente, vi seus olhos azuis perguntando se alguém tinha alguma dúvida.

Não tive coragem de perguntar. Alguém fez outra pergunta depois de breve silêncio e eu me arrependi por perder a oportunidade. Mas logo em seguida a Lama mudou um pouco o rumo do assunto e caiu na metáfora budista que eu tanto queria: “o cocô embaixo do brocado”.

Rá! Acho que todos já receberam esse ensinamento, e para mim foi grande alívio. Me fez lembrar que “todos nós temos a tarefa de aumentar as qualidades e diminuir os defeitos, pelo bem de nossas mães”.

Amo vocês.

Zé”

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7 respostas para Novo “alô” do Zé

  1. Caru disse:

    Excelente texto! Adorei as gracinhas sobre o lado negro!
    E sigamos na prática diária de aumentar as qualidades e diminuir os defeitos!
    Beijo

  2. Marcos Piani disse:

    Grande, Zé. Inspirante e instigante em um texto límpido e claro.

  3. Helaisse Magarinos disse:

    Oi Zé,
    Obrigada mais uma vez pela clareza e sinceridade. É tão bom poder compartilhar nossas dúvidas e se conhecer cada vez mais, se aceitando por completo, TODOS os lados, mas isso não é muito fácil e eu lhe agradeço por se expor, de forma simples e até cômica… bem vc mesmo. Muito bom relembrar do poder da prece Djetsun, dos sábios conselhos da Lama Tsering e que Tara sempre nos proteja!
    Bj !

  4. cinthia disse:

    “todos nós temos a tarefa de aumentar as qualidades e diminuir os defeitos, pelo bem de nossas mães”

    adorei essa frase!

    • Marlo Simon disse:

      Zé,
      Aspiro que toda Sangha deste Sansarão possa ter um Zé para re-re-lembrar-lôs do caminho. Amamos você.

  5. rigpa disse:

    Escreva mais Zé!!! Seus textos dizem tanto sobre todos nós… bjos

  6. Victor Morales disse:

    Como dizia o próprio mestre Yoda: “If once you start down the dark path, forever will it dominate your destiny, consume you it will”
    Muito bem eu sei disso. Tenho uma queda pelo lado negro.
    Vou usar o seu conselho quem sabe o lado negro perde a intensidade.
    Valeu mestre Zé Yoda. Um abração.
    Victor.

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