Sobre minhas dificuldades…

Faz bastante tempo que não escrevo no Blogsattva… talvez seja por falta de tempo, pois tivemos tantos eventos ocorrendo nesse mês de outubro e novembro, e cuidando das inscrições dos eventos, o trabalho começa bem antes.

Pode ser isso… ou porque estive considerando em deixar de ser Staff, voltando a trabalhar fora, assim não queria passar uma má impressão para os que por se acaso lêem o blog e virem textos não tão inspiradores.

Sou uma pessoa meio tosca que não percebe essas energias que todos falam dos locais e das pessoas. Acho que minha pele ou cabeça são muito duras para sentir essas sutilezas que compõe esse cenário que vivo hoje.

Assim não passei o ano que conheci o Odsal Ling em 2009, indo e voltando de Curitiba quase que uma vez ao mês por causa dessa tal “energia”; nem decidi viver aqui deixando o trabalho por esse misticismo que envolve o templo ou os locais sagrados, mas como já escrevi antes, escolhi o que escolhi pela Lama Tsering.

E foi nesse período que a Lama menos ficou aqui, viajando pelo mundo afora difundindo os ensinamentos e auxiliando as centenas de Sanghas do Chagdud Gonpa..

Depois vieram os eventos, onde tivemos muito trabalho, seja no evento em si, quanto na organização para o próximo. Antes de viver aqui, não tinha idéia da quantidade extra de trabalho envolvida em cada evento, o que impossibilita ficar sentado na almofada escutando os ensinamentos preciosos, pois a todo o momento é necessário levantar para cuidar de algo para que os participantes pudessem aproveitar.

Confesso que apesar das minhas tentativas de fazer tudo pelo benefício de todos os seres, meu ego falava mais alto e queria estar lá, apenas sentar no templo e escutar os ensinamentos.

Perdido nessa minha confusão e dúvida, orei para meu guru enquanto a Kerlei, tentando me ajudar como sempre, abriu o livro “Portões da Prática Budista” e o conselho do Rinpoche estava lá: …”Imagine que você seja muito pobre e, de repente, veja-se em uma terra onde tudo é incrustado de pedras preciosas, ouro e moedas (…) mas um dia tem que voltar pra casa (…) sem nenhuma possibilidade de retornar àquela terra de tesouros. Ao chegar em casa, você se dá conta de que não lhe ocorreu trazer coisa alguma consigo, nem uma única jóia, nem um grão de ouro, nada; pense qual seria seu arrependimento!”…

Assim, após todo agito dos eventos, veio uma quietude, tanto do templo, quanto do meu coração… provavelmente pelas bênçãos dos Lamas e do Rinpoche que estiveram aqui, me dei conta da oportunidade de poder fazer esse serviço, de colocar o bem-estar dos outros no lugar do meu próprio.

Não penso em viver aqui a minha vida toda, mas pelo menos ficar aqui até que o Dharma gradualmente entre nessa minha cabeça dura e meu coração de um modo que o ego deixe de ter tanta importância quanto o bem estar dos outros. Isso já seria uma imensa conquista.

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9 respostas para Sobre minhas dificuldades…

  1. Tatiana disse:

    Oi Fábio,

    Puxa vida……, certamente estar expondo seu ego assim é uma grande vitória!!!!
    Mais ainda quando depois de conseguir superar tantos obstáculos vc tenha conseguido ver quão importante foi e é o nosso papel para o bem estar de todos os outros seres. Obrigada por compartilhar suas dificuldades, pois certamente não são ou serão só suas.

  2. Lucas Pont disse:

    Lindo texto Fabio! Eu adorei…pode parecer bobagem, mas me inspirou profundamente! Obrigado irmão-vajra.
    Forte abraço

  3. rigpa disse:

    Ai Fábio que bom… eu não sou a única cabeça dura! Que alívio! Abraços

  4. sonia viana disse:

    Olá Fabio,
    Fico feliz de ver vc. envolvido de corpo e alma naquilo que vc. escolheu. Vc. não é cabeça dura, é que tudo isso é realmente muito dificil. Vc. é uma pessoa muito especial.
    Saudades
    Sonia

  5. Leonardo Dória disse:

    olá Fabio, estou muito feliz por ver seu blog. quem passa por esse dilemas sabe o quanto é especial a sua atitude, não significa que todos precisam morar em um mosteiro para se evoluir. porém, as pessoas que vem para morar em um como é o seu caso, é uma prova de coragem e pelo menos para mim significa muitíssimo. não sei se você ainda entra nesse blog, porém gostaria de deixar meu email para se puder, conversar um pouco mais profundamente sobre essa experiência : leonardo-doria@hotmail.com
    um abraço, Leonardo

    • Fabio Seiti disse:

      Olá Eduardo,
      Obrigado pelo seu comentário.
      Faz um tempo que deixei de ser um dos editores desse blog, para apenas fazer colaborações esporádicas. Sigo morando no templo, mas não escrevi nada desde minha saída deste blog.
      Concordo que nem todos precisam morar em um templo e é uma decisão muito pessoal escolher tomar esse caminho.
      Mas acredito que a melhor pessoa que possa te aconselhar, seria seu Lama, ou mestre no caminho.
      Um abraço,
      Fábio

  6. Newton disse:

    Oi Fábio… onde fica o mosteiro que você está? Tempo procurado por um aqui no Brasil. Estou decidido a passar um tempo em um, para receber ensinamentos budistas, amenizar o ego, e evoluir… Se puder me dar uma dica de como e a quem me dirigir, ficaria imesamente grato..
    Meu e-mail eh carvalho.new@gmail.com
    Obrigado, desde já, pela atenção…

    • Fabio Seiti disse:

      Oi Newton,
      Não é um mosteiro, é um templo budista onde as pessoas vivem e trabalham de forma voluntária, mas não são monges.
      O endereço e mais detalhes do templo e locais de prática em diferentes regiões, pode ver no site http:\\www.budismotibetano.org.br e também no http:\\br.chagdud.org.
      Acredito que o melhor passo seja iniciar frequentar um centro budista e depois aconselhar com seu Lama ou aluno autorizado a responder suas dúvidas.
      Abraço.

    • blogsattva disse:

      Fica em Cotia, São Paulo e é um templo budista e não um Mosteiro. Mais informações em http://www.odsalling.org
      Obrigado,
      Team Blogsattva

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