Natal, Natale, Natalis: Nasceu um Bodhisattva

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Esta noite uma população mundial de milhões de pessoas comemorará o nascimento de Jesus.

É o Natal, Natale, Natalis, este derivado do verbo ‘nascor, nascéris, natus sum, nasci’, significando nascer, ser posto no mundo.

Entre nossas famílias, em sua grande maioria, haverá uma ceia em sua comemoração ou um almoço especial no dia de amanhã, tido como o do nascimento de Jesus. Aliás, mundo a fora isso deve se repetir. Sua comemoração é oriunda do século V, na Igreja Oriental, e do século IV, na Igreja Ocidental.

Jesus sobre as águas

Estarei presente a essas comemorações, com minha familia e amigos, todos seguidores de Jesus, uns mais, uns menos,  e pensando, contemplando, a respeito desse homem que  foi um exemplo do primeiro e principal ensinamento do Buddha Shakiamuni: praticar a virtude em sua plenitude e jamais praticar não virtude. Jesus fez isso em prol de tantos seres, praticando a bondade, levando o amor a seus pares, seguidores e inimigos, deixando os pilares para o que resultou em uma das tradições mais praticadas no Ocidente sob diversas linhagens e formas.

Para mim Jesus foi um dos grandes Bodhisattvas de nossa era a ponto de entregar-se a si mesmo à morte em nome do que acreditava e pregava. Tantos foram os feitos que a história relata, principalmente das diversas escolas religiosas, desse Bodhisattva. E é ele o guia espiritual de milhões de pessoas em nosso mundo, que seguem seus ensinamentos de bondade, amor e solidariedade para com o próximo.

Então, gostaria de dividir neste Blog o meu enorme respeito e amor por Jesus e deixar aqui registrado o meu profundo regozijo por ele ter vivido entre nós e ter sido, como continua sendo, o exemplo para tantas pessoas, nesses 2010 anos, do praticar o bem, de fazer a virtude, de ter compaixão e  solidariedade pelo próximo.

E vale lembrar, assim se pronunciou sua Santidade o Dalai Lama sobre Jesus: “He is a great master, a great master

Como budista junto-me a alegria e comemoração de todos pelas festas do nascimento de Jesus e assim, desejo a todos esses:

Natale Hilare”, um Feliz Natal (!)

flor de lotus

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Sobre Marcelo Thiollier

No caminho, felicidade tem outro nome. On the path, happiness has another name.
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8 respostas para Natal, Natale, Natalis: Nasceu um Bodhisattva

  1. Pingback: Tweets that mention Natal, Natale, Natalis: Nasceu um Bodhisattva | blogsattva -- Topsy.com

  2. Denise disse:

    Marcelo, obrigada por esta mensagem que acabo de ler nesta manhã do natal. Suas palavras foram nectar para meu coração. Amo muito a Jesus e hoje sou praticante budista. Esta manhã tem sido uma manifestação da interdependência de forma muito clara. Suas palavras e de uma amiga minha, que tem extrema devoção, alimentada por forte amor à Jesus,me fizeram sorrir sozinha no silêncio desta manhã. Todos ainda dormem em minha casa. Veja o que ela escreveu:”Que o amor triunfe sempre,seja regado todos os dias, cresça e floresça e dê lindos frutos. Feliz Natal”. Isso não nos lembra algo?
    Grande abraço e que possamos cada vez mais compreendermos e vivenciarmos a interdependência, cultivarmos bodhiccitta, em benefício de todos os seres.

  3. Queries Denise:

    Lindas palavras que você nos trás ao Blogsattva. Demonstram, sim, a real interdependência da vida. Demonstram a paz que devemos cultivar interna e externamente. Mostram a importância da Bodhiccitta no nosso caminho. Obrigado por este maravilhoso comentário que, sem dúvida, beneficiará a todos que o lerem.

    Receba o meu carinho e agradecimento.

  4. Flavia Pate disse:

    Christmas sure is hard without you around! I miss your wise words and your bear hugs. Love you, daddy-o.

  5. Washington disse:

    Marcelo, desculpe-me por invadir esse seu luminoso espaço virtual, onde o amor é real, com esta mensagem, mas as coisas, as digo com as sei, com sinceridade e compaixão. Por total descrença no Jesus e no Deus que me foram transmitidos, aos 38 anos “esbarrei” no Budismo. Desde então, não tenho sido o que se possa chamar de budista, mas as leituras, os ensinamentos e a prática tem funcionado não com uma fuga, mas como um refúgio para um sem rumo em busca de um Mestre. O mais incrível, é que através do budismo e da Vedanta pude perceber o Mestre que sempre tive. Não foi Ele que mudou, eu é que estou aprendendo à percebê-lo, o Mestre Jesus, sem dúvida alguma, um pleno Bodhisattva.

    Tudo o que tem real valor na vida é Uno, o amor, a paz , a felicidade, aquilo que nos proporciona a plenitude, perceber Deus em nós. Só Nele somos unos com tudo e o todo, em todas as direções, em todas as dimensões, pela eternidade, sem início e sem fim.

    Tudo aquilo que se pode contar em unidades, tudo aquilo que vem e que vai, gera apego, e portanto, dor e sofrimento, tem um valor relativo e transitório.

    O amor, por exemplo, não importa à quantos se ame, ainda assim ele é só um, abrangente, inclusivo, inesgotável. Serenamente não pede e nem espera retorno.

    Em nossa finitude, naquilo que podemos compreender, Deus é o amor absoluto. Assim como a gota d’água se reconhece no oceano, pelo amor podemos reconhecê-Lo em nós e assim sermos unos com Ele.

    O Tempo também é Uno. Por único deve ser intensamente vivido. O aqui e agora é o nosso presente momento. Não pode ser embrulhado, guardado, poupado ou cedido.

    Segue também um mantra belo, intenso e corajoso, que aprendi com o grande Mestre, Professor Hermógenes:

    “Entrego, recebo, confio e agradeço.”

    Feliz Natal e um Ano Novo de paz e realizações.

    Washington

  6. Caro Washington:

    Grato por seu comentário. Acredito ser ele aplicável a muitos de nossos leitores e a todos beneficiará, assim como qualquer pessoa que eventualmente se depare com o Blogsattva na Internet, que vem ganhando espaço graças, justamente, aos comentários de nossos leitores. É a interação da Sangha que o propaga e de todos os leitores.

    Como você, fui iniciado no catolicismo desde pequeno e em um momento de minha vida, por razões que não vale aqui comentar, tornei-me um completo agnóstico. E bem mais tarde vi a necessidade de procurar um caminho espiritural.

    Encontrei nele, como você, o Budismo, mais especialmente o Budismo Tibetano Vajrayana, da escola Nyngma, a mais antiga do Tibet, que pratico emocionado no meu templo, o Odsal Ling (www.odsalling.org.br), em Cotia, SP.

    Muitos me perguntaram porque, como budista, escrevi esse post. Fi-lo porque com todo o meu conhecimento sobre o catolicismo, especialmente sobre Jesus, tenho para mim que ele foi um homem com todas as características de um Bodhisattva, como assim entendemos no budismo tibetano. Foi, também, uma pessoa que marcou, e ainda marca, uma era de espiritualidade sem precedentes e que prega o bem, a compaixão e o amor ao próximo; todos esses, você sabe, são elementos importantes da prática budista, seja ela de que linhagem ou escola venham.

    Assim, Jesus foi uma figura importantíssima na prática da espiritualidade. Não entro no mérito, como no post não o fiz, sobre as religiões que surgiram com base nos ensinamentos de Jesus. Entendo que aqui essa discussão não é relevante. Porém, tenho por ele um enorme amor, como você mencionou, e tremendo respeito por tudo que ele ensinou. Porque, de uma forma ou de outra, esses ensinamentos seguem, também, o que pregou o Buddha Shakiamuni: praticar a virtude em sua plenitude e jamais praticar não virtude.

    Obrigado pelo carinho de dividir com nossos leitores esses comentários que muito enriquecem o Blogsattva e a tudo que ele se propõe. Obrigado pela citação desse mantra maravilhoso. Sou um grande leitor do Professor Hermógenes, uma pessoa de muita seriedade e conhecimento.

    Um Feliz Ano Novo !

  7. Nair disse:

    Marcelo! Fiquei contente ao ler o seu post sobre Jesus. Antes de conhecer o budismo (12 anos atrás)eu era descrente/atéia, acredito que por revolta de fatos ocorridos na infância. Com o budismo encontrei um sentido para vida, o “sagrado”, o “divino” voltaram a fazer parte da minha vida. E quando me vi há poucos anos atrás estava novamente reconciliada com “Deus”, com tudo o que é sagrado na vida,independente da nomenclatura que seja utilizada, ou da forma que seja dada a esse Ser. Sabe, como vinda de uma sociedade cristã tenho a mania de usar expressões tipo: aí meu Deus, Deus ajude. É um hábito cultural. E fico triste porque quando estou no meio de budistas (eu sou budista, ou melhor tento seguir os ensinamentos)sou repreendida, ou chamada a atenção por estar invocando Deus, pois parece que na concepção das pessoas budistas usar o nome Deus parece um sacrilégio, uma afronta ao budismo. Sem entrar na lógica e na filosofia do budismo que afirma não existir um ser superior, permanente e incriado. Mas tendo a concepção de Deus como universo que existe além de espaço e tempo do qual todos fazemos parte, intrinsecamente bom. Assim vejo as deidades de meditação que utilizamos no budismo. Seja a denominação religiosa que for, o objetivo é sempre tornar o ser humano cada vez mais próximo da sua própria essência pura e perfeita. Simplesmente mudam as formas, os métodos e as técnicas. Obrigada por compartilhar sua forma arejada de conceber outras tradições religiosas que não aquela que nós escolhemos como o melhor método para nos tornarmos um ser humano melhor. Desejo um FELIZ ANO NOVO com muitas realizações e muitos retiros que beneficiem a você e a todos os seres sencientes.

  8. Querida Nair:

    Que comentário lindo e apropriado. Vai no âmago da questão que procurei escrever em minhas parcas palavras sobre o nascimento de Jesus. Acredito que o seu comentário tem duas questões fundamentais: Jesus e Deus. Quanto ao primeiro, afirmei ter por ele imenso amor e respeito por tudo que pregou e que tanto se assemelha ao que nós budistas também praticamos, a virtude, a compaixão, o amor ao próximo e muito mais. Quantos não são os ensinamentos de Jesus que também das instruções que somos dedicados a seguir em nosso caminho budista por nossos mestres? Cansaria-me de tanto cita-los. Porém, e ainda mais importante, é que Jesus não só era um Bodhisatva, para mim, mas ele também é Buda, pois o que aprende com meus mestres é que que todos nós somos Budas, todos temos Buda dentro de nós, somente não reconhecemos isso. Aprendi ainda que Buda está em si e por si em cada ser senciente. Então porque não em Jesus? A meu ver, não podemos excluir nenhum ser senciente até que todos alcancem a iluminação, criticá-los ou diminuí-los de qualquer forma. A segunda questão, ainda mais interessante, é sobre “Deus” e o tratamento, ou críticas, que você muitas vezes recebe, conforme relatou, de certas pessoas budistas. Aqui, tenho que mais uma vez concordar com você e agradecer, de coração e com carinho, suas palavras, pois me dão a chance de complementa-las e talvez, como as suas, beneficiar aqueles que nos lêem budistas, ou não. Para isso vou buscar guarida em nosso lider espiritual, pois suas palavras vão de encontro aos ensinamentos de Sua Santidade o Dalai Lama, que afirma:

    “…é fundamental se respeitarem a receptividade, a inclinação espiritual e a disposição mental de cada pessoa. Não se pode comer um alimento, e dizer: ‘Como é nutritivo para mim, todos devem comê-lo’. Cada pessoa deve comer aquilo que melhor se adapta a sua saúde, sua composição física. Devemos seguir a dieta mais conveniente a nossa saúde, porque o propósito de comer, em si, é o de nutrir o corpo. Seria uma tolice insistir em comer determinado prato, impróprio, ou até prejudicial, só porque tem mais fama ou é mais caro”.

    “A religião é um alimento para o espírito e para a mente. Ao embarcar num caminho espiritual, é importante cada um se comprometer com a prática mais apropriada ao seu desenvolvimento mental, as suas disposições e inclinações espirituais. É essencial cada pessoa procurar uma forma de prática e de credo espiritual que lhe seja conveniente. Assim, poderá conseguir a transformação e a tranquilidade internas que a levarão ao amadurecimento espiritual e a desenvolver a integridade, a capacidade de amar e a bondade. Precisamos levar isso em conta na busca da nutrição espiritual.”
    [O Dalai Lama Fala de Jesus, Fissus Editora, Rio de Janeiro, 2006, 3a. ed., pg 80]

    Assim, querida Nair, suas expressões, além de terem, obviamente, um apego cultural, são expressões que têm um significado muito importante para tantas tradições religiosas que devem, seguindo os ensinamentos de nosso lider espiritural, serem respeitadas pois são o pão que nutri a espiritualidade de outros seres sencientes muito embora não budistas mas não tão menos importante do que os budistas. Isso iria contra tudo que acredito ao praticar o budismo e caminhar rumo a iluminação.

    Um Feliz Ano de 2011 e continue colaborando com o Blogsattva, divulgando-o e incentivando as pessoas a participarem dessa experiência.

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