Mocotó do dharma

Tenho ouvido há tempos falar do Mocotó. Diz-se do lugar que ele “mudou o eixo da gastronomia paulistana”, já que seu endereço é na Vila Medeiros (fora do circuito de restaurantes em São Paulo).

Hoje, distraída, comecei a ler sobre a história do lugar no site. Qual não foi a surpresa, quando li os parágrafos a seguir, em que assinalei algumas palavras.

Ele é conhecido por seu coração de ouro, sempre pensando nos outros antes de si mesmo. Não se deixa levar por luxo ou dinheiro, tem como lema de vida a simplicidade e a humildade. Vê-se isso no Mocotó: simplicidade na decoração, no cardápio e humildade no atendimento e nos preços.

E é desse modo que ele conquista o respeito de todos. Com a firmeza de quem já passou por muitas dificuldades, inclusive fome, ele é exemplo de conduta e retidão de caráter. Mesmo assim, ele não é tratado como patrão, pois não trata ninguém como empregado. Tem por todos o cuidado que se tem por um filho, por isso, para nós não há figura que melhor o represente, que a figura de um pai.

É ou não é puro dharma? Coração de ouro = compaixão; pensando nos outros antes de si mesmo = bodhichitta; dificuldades = primeira nobre verdade; conduta = 6 perfeições; cuidado por todos como um pai e tratar a todos da mesma forma = amor e equanimidade… (Entre outras leituras possíveis, é claro.)

O “Ele” em questão é o dono do Mocotó original. Depois dele, seu filho Rodrigo seguiu o seu carma e acabou por criar o novo Mocotó no mesmo local. Sobre ele, o que se diz é que “aos 13 anos já ajudava no armazém do pai. Lavou pratos, limpou banheiros, atendeu mesas, fez serviços de manutenção e tudo o mais que se pode fazer num restaurante”. Para quem mora no Odsal Ling, não é muito difícil se identificar com a estética “faz um pouco de tudo”, não é mesmo?

E não sei quanto a vocês, mas para a minha mente especulativa foi inevitável traçar paralelos “comparatórios” sobre o passado e o futuro (do Odsal Ling) quando li o Rodrigo dizendo: “Há 5 anos, no Mocotó éramos eu e mais três pessoas, hoje somos mais de 30. (…) Há muito trabalho pela frente, muito o que aprender e muito a apresentar da nossa cultura”.

E, só pra continuar na moral “ver dharma em tudo”, entre um link e outro achei a seguinte declaração dada ao chef Alex Atala: “O Ferran (Adrià) disse: “Isso aqui é muito moderno, transcende o óbvio sem ser hype ou tecnológico. Quebra conceitos, estabelece um novo patamar”.”

Eu ainda não fui ao restaurante, mas pretendo. Talvez leve um folder do templo comigo. Afinal, acho que o Rodrigo pode se identificar com o dharma.

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3 respostas para Mocotó do dharma

  1. pfinkler disse:

    oi! muito legal o post. sou vegetariana e mesmo assim amo o mocotó.
    só um detalhe, não fica na vila guilherme, mas na vila medeiros.
    abraço

  2. Francesca Sperb disse:

    quem corrige amigo é. thx

  3. Ariany disse:

    Fiquei muito surpresa com suas observações, Fran! A propaganda é msm a ‘alma’ do negócio, né?! rs
    Acredito que se todos falassem da vida, do amor, do darma (ou de qlqr outra fé e conhecimento que tenha) como pensa a respeito de um produto ou lugar o mundo seria outro. As pessoas não têm vergonha de falar sobre como gostam de algo, de poetizar algo, mas se inibem em ser bons e de poetizar a verdade e falar bonito sobre a vida.

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