Em se tratando de mudanças.

Uma das coisas mais importantes que eu aprendi quando a Lama Tsering voltava da sua turnê anual de ensinamentos nos EUA, era que sempre haveria mudanças. Não se trata de “mudanças” no sentido mais amplo da impermanência, de que tudo é uma dança de fluidez constante e fugaz; do dia que vira noite, que vira dia; da mudança das estações do ano e até o fato de que nesse exato momento em que nossos olhos correm a tela do monitor, tudo ao nosso redor e dentro de nós está se alterando- não, eu me refiro a mudança dos móveis de lugar: da disposição do sofá, da escrivaninha e das estantes.

Então, logo após a sua chegada, da recepção e entrega das katas, de descarregar as bagagens, eu perguntava: “Então, por onde nós começamos dessa vez?”.

Porque ela mesma me ensinou, que enquanto ela voltasse para casa e organizasse um rearranjo dos móveis do escritório, do quarto, da sala de estar ou de meditação, isso significaria que o mestre ainda ficaria conosco por mais um tempo. Um lembrete de que o Lama não estaria ali para sempre- assim como Chagdud Rinpoche decidiu vir para o Brasil, deixando alunos americanos atônitos e descrentes que acreditavam que, devido a idade e de tudo que conseguira construir nos EUA, ele não ousaria se mudar para algum outro país e começar tudo do zero. E o resto ainda é história.

Mais uma vez ela chega em casa. Dessa vez não vou estar por lá para carregar mesas e reorganizar estantes de livros. Mas ainda espero que tudo mude para ela permanecer.

Fotos de Ticiana Paiva.

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5 respostas para Em se tratando de mudanças.

  1. Kedna disse:

    É preciso mudar sempre, para continuar sempre o mesmo.
    Saudações.

  2. Ariany disse:

    Clóvis, Clóvis, Clóvis,
    Eu sinto muita saudade da Lama Tsering cada vez que fica muito tempo ausente. Sei que é necessária sua ausência aqui porque está presente em outro lugar, mas sinto e muito. Conheço quase nada da Lama. Nunca tive nenhum contato profundo e direto, apenas conheço sua voz, sua imagem e sua fala – que é o mais profundo dos encontros entre eu e “ela”. Tenho uma profunda admiração, respeito e até um tremor sinto com sua presença, quando muito perto. É algo platônico e, já me disseram ser, bobo.
    Ver essas fotos me deixa muito feliz em saber que está de volta [de novo] =D

    Parabéns pelo texto ;-]

  3. cathata disse:

    Namo Budha!
    Namo Sangha!
    Namo Dharma!

  4. cathata disse:

    Namo Guru!
    E ma ho!!!

  5. Helaísse disse:

    Obrigada Clóvis por compartilhar as fotos e o poderoso lembrete da nossa querida Lama.

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